Michael A. Iora
Sinopse: “Você foi honrado com a oportunidade de ser meu discípulo, uma honra que qualquer um dos acadêmicos de Everard desejaria, pois embora tenham bons mestres, eu estou muito acima de todos eles. O treinamento será muito mais árduo, não duvide disso, mas terá suas recompensas. Se sobreviver, digo, se resistir até o final, sob a minha orientação você virá a tornar-se um mago de altíssimo valor, admirado e invejado por muitos.”
Entretanto, o menino elfo descobre amargamente que tamanha honra não é concedida sem que um alto preço tenha de ser pago, e que simplesmente estar sujeito ao desagradável temperamento de seu excêntrico e arrogante tutor deve ser a pior prova que alguém pode ter de suportar. Não obstante, ele se vê obrigado a enfrentar não apenas um treinamento extremamente rígido e insano, mas também a saudade de sua mãe e um sentimento de urgência crescente.
Conseguirá o garoto conquistar sua tão desejada graduação, superando todos os desafios impostos e, pior, a crueldade e intolerância de seu próprio mestre?
"(...) - De que modo esse medo de envelhecer e morrer influencia o comportamento humano?
- Eles são afobados e extremamente suscetíveis a emoções, especialmente o medo - o menino respondeu lentamente -, de forma que anseiam desesperadamente ter o controle de tudo, esperando poder dominar ou destruir aquilo que se opõe à sua expansão."
Este texto é livre de spoilers!
O pequeno elfo, Aglarion, filho dos reis de Elennan, desejava ser um grande guerreiro, mas como não podia, sua mãe, em vez de levá-lo a escola de Everard, a escola de magia para elfos, pede para que o melhor arquimago de todos fosse seu tutor e o ensinasse o poder da magia. Acontece que o arquimago é um tanto arrogante e irreverente, dando tarefas que não envolvem magia ao garoto, além de sempre zombar dele. Aglarion persiste e essa é a história de O Aprendiz do Arquimago.
Fantástica. Essa é palavra certa para descrever essa obra. Dos personagens cativantes à trama bem desenvolvida, o livro prende o leitor do começo ao fim e faz as 630 páginas pareceram pouca coisa.
Podemos dividir o livro em duas partes. A primeira se concentra no aprendizado de Aglarion. Acontece que várias perguntas sobre o passado dos personagens vão surgindo, além da revelação de que existem inimigos à espreita. Na segunda parte, O elfo já cresceu alguns anos (ciclos, no livro) e a trama fica mais complexa, com algumas reviravoltas e aprofundamento nos sentimentos dos personagens.
Com os ensinamentos do arquimago e os estudos de Aglarion, o próprio leitor vai aprendendo sobre o Vasto Mundo. Mundo esse digno de nota. É bem aquele mundo fantástico como os de aventuras de RPG ou dos livros de Tolkien, com elfos, orcs, ogros, goblins, guerreiros e bruxos.
Dos personagens, o que mais gostei foi o arquimago, mestre de Aglarion. Kyehntw'arthal é um meio-humano, meio-elfo, com poderes inimagináveis. É também excêntrico, arrogante e de um temperamento desagradável. Tem ótimas tiradas e pensamentos profundos e passa longe de ser aquele herói que faz o bem sem olhar a quem.
Tem uma personagem, a elfa Vedriny, que é criada pelo arquimago, pois é filha de seus antigos mestres. É tida como uma aprendiz de grande talento, mas faltou partes importantes com ela. Creio que o próximo livro colocará tanto ela quanto os demais personagens em situações mais perigosas, aí sim veremos o potencial dos magos de Herannon.
A trama é bem completa, mas como é um livro introdutório, não teve muitas batalhas e vilões quase não aparecem. Algumas coisas ficam em aberto, mas as perguntas importantes que abrem o livro são respondidas. Bom, quase todas, ainda fica alguns mistérios sobre as motivações de Aglarion.
A escrita de Iora é boa, deixa tudo bem fluido, mesmo com algumas explicações difíceis sobre como funciona a magia. A maneira como ele retrata as coisas deixa bem divertido, me peguei dando boas risadas ao longo da leitura.
"- Isso é verdade? - ela pareceu desconfiada.
- É claro que sim - o meio-humano mentiu com naturalidade.
- O Senhor Kyehn nunca mente - mentiu Seu Inútil, de forma solene.
- Entendo..."
A edição tem a capa mais linda que esse mundo já viu, com quase ou nenhum erro de português. No fim, há dois apêndices; um ensina a pronunciar os nomes (deu pra perceber que precisa disso depois de ler "Kyehntw'arthal", não é mesmo?) e o outro seria uma tabela de medidas. O livro tem termos como kodoz (um mês) e tarca (2,28 metros). No começo da leitura fica difícil de lembrar, então a tabela ajuda muito.
Resumindo, um excelente livro de fantasia, leitura imperdível para os fãs do gênero. Trama bem presa, personagem extremamente cativantes e leitura muito fluida. Favoritei.
Nota: 5 Canenas de Hidromel
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Até mais, e obrigado pelos peixes!