quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

[Livro] Réquiem Para A Liberdade - Thiago Lee

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

Réquiem Para a Liberdade:

Autor: Thiago Lee
Edição: 1
Editora: wwlivros
Ano: 2015
Páginas: 220
Sinopse: Marko é um ex-escravo liberto que vaga pelo reino em busca de respostas para uma maldição que o assola. Quando ele se aproxima de uma vila de pescadores dominada por um tirano, ele terá que escolher ignorar ou proteger um povo cujo sofrimento se assemelha ao seu próprio passado.

Numa história grandiosa, contada em duas linhas temporais, Marko e o pequeno garoto Anak'mar terão de enfrentar os mais sórdidos inimigos para obter o desejo mais profundo em seus corações: liberdade.

"Marko nem sempre foi um homem livre. Deixara para trás seu tempo de servidão quando ainda era jovem demais para entender o futuro nefasto que o aguardava. Doze anos então se passaram, até que numa fração de segundo, ajoelhado no chão lamacento, as mãos atadas e o suor escorrendo por sua nuca, ele percebeu o erro que carregara por toda a vida - liberdade não era algo que podia ser recebida de alguém."

"A terra não é dos merecedores, garoto. A terra é dos fortes. Depois do que passei, resolvi chegar ao topo dessa cadeia a qualquer custo."

Este texto é livre de spoilers.

Marko é um Liberto e isso lhe causa muito tormento por onde passa. Pessoas lhe olhando torto, por medo ou desdém, como se fosse um animal exótico em exposição. Em busca de respostas, o ex-escravo se depara com uma vila oprimida por um déspota que ameaça a liberdade de seus habitantes.

Um livro de fantasia sem dragões, magos e elfos. Um livro de fantasia que se atem à natureza humana, nua e crua, para o bem ou para o mal.

Marko é o personagem principal. Finalmente um bom protagonista negro nos livros nacionais. Não é um personagem padrão de fantasia; possui cicatrizes em seu corpo e em sua alma, por várias vezes usa de blefes e artimanhas em confrontos e é melhor tocando uma canção em seu alaúde do que manejando uma arma.
Além de Marko, vários outros personagens percorrem as páginas desse belíssimo livro e cada qual cativante de seu jeito.

"(...) Marko compreendeu o que se recusou a admitir durante todo aquele tempo.
Às vezes, a vida é uma prisão maior do que a morte."
O livro possui no fim de cada capítulo um interlúdio, em que é mostrado a infância de Marko, mas nada é solto ou por acaso, os acontecimentos passados são interligados ou usados para explicar acontecimentos presentes.
Com uma narrativa simples e cativante, Réquiem Para A Liberdade narra uma bela e profunda história. Fatos que inicialmente parecem aleatórios se conectam ao longo do livro, resultando numa trama muito bem amarrada.

A narrativa de Lee é simples, não se perde em meio às descrições de paisagens e monumentos, como é comum em livros de fantasia; apenas o necessário, fazendo com que a leitura seja muito rápida e prazerosa.
Ao longo do livro fica claro a influência da realidade na obra, como lugares, línguas e culturas. O próprio autor dá uma breve explicação sobre isso na introdução.

A edição possui uma capa muito bonita com orelhas. Folhas brancas, com boas diagramação e revisão.

Em suma, um livro de fantasia que agradará qualquer público, graças ao seu enredo completo, aos seus bons personagens e à escrita simples e cativante. Mais um excelente livro para o acervo nacional e leitura obrigatória aos amantes da literatura.

Nota: 5 Canecas de Hidromel!


Sobre o autor:

Thiago Lee nasceu na década de 80 em Aracaju, Sergipe, onde viveu a maior parte de sua vida. Formado em tecnologia, trabalha na área há vários anos. Mudou-se para a capital paulistana em 2012, onde reside até hoje. Fascinado pela ficção fantástica de autores como Stephen King, H. P. Lovecraft, J. K. Rowling, e George R. R. Martin, iniciou sua carreira literária submetendo contos de terror sobrenatural para antologias. No ano de 2015, foi indicado aos prêmios Strix (Andross Editora) e Brasil em Prosa (Amazon.com.br).

Site | Facebook do livro | Facebook do autor | Twitter | Amazon


Até mais, e obrigado pelos peixes

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

[Livro] Rebirth, Os Novos Titãs - Bianca Landim

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

Rebirth - Os Novos Titãs:

Autora: Bianca Landim
Edição: 1
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Páginas: 368
Sinopse: Quatro crianças foram postas nos caminhos imortais dos deuses do Olimpo e, delas, uma nova geração de titãs surgiu, mostrando-se incrivelmente mais poderosa que os primeiros titãs – derrotados por Zeus e seus irmãos –, e até mesmo que os próprios deuses!
Missões lhes foram atribuídas e mundos imortais foram conhecidos, dando-lhes sabedoria, poderes e novos aliados. Acima de tudo isso, o amor único foi alcançado e suas origens, desvendadas, fazendo dos titãs uma nova ordem no Olimpo, com Zeus e os outros deuses, conhecidos como os Doze Olimpianos.

" - Esse martelo que os nórdicos chamam de Mjolnir é o que faz com que Thor tenha força. Sem ele, o loirinho cabeludo é apenas um deus emburrado - respondeu o deus da guerra, dando um sorriso de esguelha para a filha, que conteve o sorriso."

Este texto é livre de spoilers!

Solaris, Celes, Pyro e Discórdia são os novos titãs treinados pelos deuses do Olimpo. Com o decorrer do treinamento e das dificuldades e obstáculos que aparecem em seus caminhos, os tiãs descobrem mais sobre si mesmo e seus papéis no Olimpo.

A mitologia é forte neste livro. Bianca Landim acrescenta novas histórias respeitando as já famosas aventuras dos panteões, seja grego, nórdico, egípcio ou hindu.

O livro é dividido em três partes. A primeira se passa por volta de 1200 A.C., era de ouro da mitologia grega e nos apresenta os novos personagens, criações da autora. Nela, os deuses e titãs gregos terão de enfrentar uma grande ameaça.
A segunda parte se passa na década de 20, em que deuses gregos, nórdicos e egípcios se unem contra um mal comum. Uma curiosidade que eu achei bem bacana foi a introdução do descobrimento da tumba de Tutancâmon e a suposta maldição do faraó na história do livro, algo que aconteceu de verdade.
Na terceira e última parte, que se passa nos dias de hoje, deuses hindus aparecem para o combate final.

O livro foca no avanço e amadurecimento dos personagens novos de Landim, além do sarcasmo de Ares e um bom romance entre os protagonistas. Nunca fui muito fã de romantismo, grande parte do conteúdo desse livro, mas aqui a história flui sem muito envolvimento do amor. Conta com algumas partes mais "picantes", por assim dizer, sem estragar a história. (Nem a história estraga as partes picantes, fica o gosto de cada leitor! =D)

Dos pontos fortes podemos destacar a ótima escrita da autora, detalhada, envolvente, fluida e com grande domínio da língua portuguesa. Além do grande conhecimento das mitologias, sempre respeitando as histórias já famosas ao acrescentar sua criação.
As batalhas são ótimas também, com direito a porrada, raios e explosões, daquelas que o leitor fica hipnotizado ao passar das páginas.

A edição é muito bonita, o selo Talentos da Novo Século sempre arrasa. Tem uma capa belíssima com orelhas e uma ótima diagramação, além de folhas grossas, algo que todo leitor agradece.

Em suma, um ótimo livro com base na mitologia, fluido e original, com um bom equilíbrio entre romance e ação, além da ótima escrita por parte da autora.

Nota: 4 Canecas de Hidromel


Sobre a autora:

Foi por meio da história, dos idiomas e das culturas estudadas que Bianca Landim concluiu a faculdade de Turismo. Os personagens deste livro surgiram em 2008, depois de uma viagem à Grécia. Ganharam retoques anos depois, quando foi a vez de o Egito ser visitado. A última etapa da jornada foi a Índia, onde viajou de trem por oito dias.

Atualmente, Bianca mora com os pais no estado do Rio de Janeiro.

Facebook | Instagram (@bflandim) | Skoob



Até mais, e obrigado pelos peixes!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

[Livro] Stânix, O Poder dos Elementos - Eder A. S. Traskini

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

Stânix - O Poder dos Elementos:

Autor: Eder A. S. Traskini
Série: Stânix #1
Edição: 1
Editora: Novo Século / Novos Talentos da Literatura Brasileira
Ano: 2013
Páginas: 140
Sinopse: Stânix é um reino medieval que já foi habitado por humanos, anões e elfos. Durante a primeira guerra, liderada pelo tirano Syrt, o reino só foi salvo pela magia e inteligência dos elfos. Porém, a raça foi obrigada a deixar o reino, incitados pela profecia da segunda guerra.

Aaron, um dos nascidos sob o sangue do primeiro grande conflito, foi deixado para trás e nem imagina o destino que lhe aguarda. Apenas ele pode salvar o reino.

A profecia está dita e Stânix está em suas mãos...

"Numa guerra um instante de hesitação pode ser a diferença entre a vida e a morte. Nesse momento, a guerra começou para nós todos e é bom vocês aprenderem essa lição".

Este texto é livre de spoilers.

Aaron é um garoto diferente dos outros, seu cabelo é azul e é extremamente habilidoso com espadas e adagas. Com a iminência de uma guerra, Sora, melhor amiga de Aaron, é obrigada por seu pai a ser pretendente do príncipe Joe, para trazer paz à Mharol, sua cidade.
O jovem garoto é a escolta de Sora, mas no caminho até Guil, cidade onde habita o rei e o príncipe, Aaron descobre coisas sobre seu passado e uma profecia que põe ele como o salvador do reino.

O livro é de pura fantasia clássica, com elfos, anões e magias; todos os bons elementos que um bom fã de Tolkien e companhia aprecia. O autor explora bem esses elementos em sua criação, Stânix, reino onde se passa a história.

Possui bons personagens e muita ação. Apesar de ser pouco detalhado, os personagens são bem explorados e cativantes. O leitor já se encanta com Aaron logo no começo. Apesar de curta, a história põe os personagens em ação várias vezes. Lutas e batalhas são travadas ao longo da trama.

Com apenas 140 páginas e a forma rápida de narrativa do autor, o livro flui rapidamente até o final, que é aberto e deixa aquele vazio característico ao se terminar de ler uma boa obra. Apesar de pequeno, o livro explica muito sobre a trama e o papel dos personagens nela, além do que está por vir.

A edição tem uma capa muito bonita com orelhas, folhas amareladas e uma ótima revisão. No fim há um Guia de pronúncia que ajuda bastante.

A resenha ficou pequena pois é um livro pequeno, assim fica sem spoilers, mas, resumindo, é bom livro introdutório, bem escrito e cativante. Uma boa pedida aos amantes de literatura fantástica!

Nota: 4 Canecas de Hidromel


Conheça o autor:

Eder A. S. Traskini nasceu em Marília, interior de São Paulo, em 1991. Em 2010, se mudou para Ponta Grossa, Paraná, onde cursa Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG. Sua paixão por livros começou aos sete anos. Desde então não parou; culminando em criar o seu próprio mundo presente em Stânix – o poder dos elementos.







Até mais, e obrigado pelos peixes!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

[Livro] O Homem Sem Signo - Daniel Monteiro

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

O Homem Sem Signo:

Autor: Daniel Monteiro
Edição: 1
Editora: Chiado Editora
Ano: 2014
Páginas: 252
Sinopse: No mundo de Maciaan as pessoas crescem ouvindo lendas sobre centauros, gigantes e misteriosos monstros do mar. De todas as criaturas fantásticas, os mais perigosos são os filhos do zodíaco, humanos que carregam em suas costas a marca da constelação que guia suas ações. O pai de Amato é o filho de Capricórnio e carrega consigo uma terrível maldição. Em O homem sem signo, acompanhamos o crescimento de Amato e sua luta para quebrar a maldição do pai, que só pode ser desfeita com a morte dos outros onze filhos do zodíaco. Para encontrar os seus alvos, Amato precisará viajar para os lugares mais longínquos, lutar contra rebeldes, digladiar em arenas e provocar guerras entre reinos. A vontade do herói é posta à prova quando grandes amigos se revelam filhos do zodíaco, e a decisão de salvar o pai não parece mais tão correta. Mergulhe nesse mundo fantástico e descubra quem é o homem sem signo.

Este texto é livre de spoilers!

O homem sem signo narra história de Amato, um grande guerreiro que tem como objetivo ajudar seu pai, Tiestes, o filho de Capricórnio. Tiestes sofre de uma maldição que o impossibilita de sair de casa, o único meio de ajudá-lo é matando os outros onze filhos do zodíaco.

O livro é de uma fantasia mais leve. Daniel cria uma nova mitologia, mesclando sua própria invenção com elementos tradicionais e os signos do zodíaco. É tudo bem explicado, mas faltou alguns detalhes sobre os filhos do zodíaco e seus poderes, o que acaba deixando a leitura mais fluida, mesmo que pecando nos pormenores.

Alguns filhos do zodíaco tem grandes participações, como Amadeu, O Imortal de Câncer e o Rei Scorpio. Cada qual com sua personalidade e habilidade enriquece a história e cativa o leitor. A maioria dos personagens são cativantes e bem explorados, como Amato, que poderia se considerado um anti-herói. É o personagem principal, mas seus métodos e objetivos são dúbias.
O único ponto negativo é a má exploração das filhas do zodíaco. As personagens femininas em geral não tem grande participação, mas não chega a incomodar.

A trama é cheia de reviravoltas. Surpresas aparecem o tempo todo, o que deixa tudo bem imprevisível. O autor explora muito bem a história e o mundo de Maciaan. Apesar da boa escrita, algumas partes são confusas de entender, por erros de continuidade, mas são bem poucas as vezes que isso ocorre.

A edição da Chiado Editora tem uma capa muito bonita com orelhas, folhas grossas e amareladas, ótima diagramação com nenhum ou quase nenhum erro de português.

Em suma, uma obra cativante e original, com elementos de fantasia que prenderá e surpreenderá o leitor do começo ao fim.

Nota: 4 Canecas de Hidromel


Até mais, e obrigado pelos peixes!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

[Livro] Johnny Bleas, Um Novo Mundo - João Gabriel Brene

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

Johnny Bleas - Um Novo Mundo:

Autor: João Gabriel Brene
Série: Johnny Bleas #1
Edição: 1
Editora: Pandorga Nacional
Ano: 2015
Páginas: 216
Sinopse: Órfão de pai e mãe, Johnny Bleas, tem uma vida confortável com seus tios, os Case, em uma fazenda no interior do estado. Até que ao acordar certa manhã e depara-se com a horrível cena de assassinato dentro de sua própria casa, a sincronia da sua vida se desfez e seu mundo começa a girar em meio a inesperadas desventuras. O triste som da morte abre as portas para algo que Johnny nunca poderia imaginar. Com o descuido de um passo em falso, ele é levado a uma nova dimensão, um novo mundo onde gnomos, castelos e piratas são apenas o começo. Um lugar mágico em que os enigmas do seu passado são revelados, onde o oculto que por tanto tempo dormiu, renasce e o assassino é descoberto em uma trama muito maior do que o esperado. Asterium, é o novo mundo, onde cada uma das peças do quebra cabeça se reconstitui, à medida que antigas peças se encaixam, novos mistérios nascem a partir de uma profecia que lhe defronta com o medo e a coragem de encarar um novo destino.

"O desconforto faz com que possamos evoluir. Muitos procuram sua vida toda por conforto, sendo que o conforto só pode ser valorizado depois do aprendizado. Depois da evolução. Sem o desconforto nunca daremos valor ao que nos e dado pelo universo."

Este texto é livre de spoilers!

Johnny Bleas é um garoto comum que tem uma vida comum. Ou pelo menos é isso o que ele acha. Um dia sua tia é assassinada. Logo depois, ele encontra uma criatura que o leva a um novo mundo: Asterium. Um mundo fantástico onde existem duendes, castelos e dragões. Nesse lugar, Johnny descobre fazer parte de uma profecia e dará tudo de si para se tornar grande e ajudar Asterium a combater o mal.

Johnny Bleas, Um Novo Mundo é um livro que segue os moldes de uma fantasia juvenil. Um garoto que “cai de paraquedas” num lugar mágico e se descobre importante nesse mundo. Apesar de parecer clichê, a narrativa cativante e imprevisível, João Gabriel Brene inicia uma trilogia com um ótimo livro. 

Asterium seria algo como um mundo paralelo ao nosso. Lá existe magia, duendes, fadas, cavaleiros e tudo aquilo que um bom livro de fantasia precisa ter, além de criações do próprio autor, como os magos kromus. Para um amante de fantasia como eu, juntamente com a escrita fácil e simples de J. G Brene, a trama cheia desses elementos flui facilmente. Li o livro em dois dias.

O livro conta com um bom número de personagens, grande parte tem papel importante na trama. Não apenas os protagonistas, mas os vilões também aparecem bastante, tendo seus próprios capítulos. Guerreiro, paladino, mago e duende; tem de tudo nos grupos, cada qual do seu jeito.

A escrita de J. G. Brene é muito boa, como dito anteriormente. Apesar de ser um livro introdução, muitas perguntas são abertas e já respondidas. A história em si fica aberta, mas um ciclo se encerra e apesar de pequeno, muita coisa acontece no livro. A apresentação dos personagens e as explicações sobre o novo mundo é o que abre a saga (e muito bem). 

A edição caprichada pela Pandorga Nacional tem uma capa muito linda, mapas coloridos e uma ótima diagramação. Erros de português não são notados, porém há algumas palavras repetidas, mas nada que atrapalhe a leitura.

Em suma, um livro cativante e repleto de magia. Instigante e imprevisível, a leitura é fluida do começo ao fim. Um ótimo início de saga e, por favor, cadê o segundo o livro???

Nota: 4 Canecas de Hidromel


Conheça o autor:


Determinado a expor sua criatividade, a fim de promover o poder da imaginação, João Gabriel Brene, escreve e conta obras de ficção e aventura desde a infância. Formado em Design de animação, especializou-se em efeitos visuais e 3D, em Los Angeles Califórnia. Ao voltar ao Brasil se dedicou ao empreendedorismo, computação gráfica e seguiu sua carreira acadêmica buscando ampliar seus horizontes com um master em marketing e gestão comercial. JG Brene é amante da arte, fã de cinema e grande apreciador de vinhos e boa gastronomia.

Website | Instagram (@jgbrene) | Twitter | Fanpage | Google+



Até mais, e obrigado pelos peixes.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

[Livro] Contos de Herannon - A Sina do Forasteiro

Olá, pessoas!
Hoje o papo é conto!

A Sina do Forasteiro:

Autor: Michael A. Iora
Série: Contos de Herannon
Edição: 1
Ano: 2015
Páginas: 22
Sinopse: Para uma noite fria, nada como uma lareira e bebida para se aquecer na companhia dos fregueses habituais. Entretanto, em um mundo habitado por criaturas como elfos, ogros e dragões, uma noite na taverna sempre pode trazer visitantes inusitados.
--
Este é o primeiro dos Contos de Herannon, histórias curtas que exploram o mundo criado por Michael A. Iora.

Mas gostando ou não, e mesmo que queira provar o contrário, você é aquilo que é.

Há algum tempo, este humilde blog postou a resenha de O Aprendiz do Arquimago, que você pode ver clicando aqui (Primeira resenha a ser feita do livro, inclusive *-*). Foi um livro que gostei mundo e como tive a oportunidade de ler este conto, que nesse passa no mesmo mundo fantástico, não podia deixar de falar dele aqui no blog.

A Sina do Forasteiro é um conto que se passa em Herannon, mundo fantástico que conheci no livro O Aprendiz do Arquimago. Narra a história de um taberneiro, um fanfarrão e um viajante com características peculiares. Contos são pequenos, não tem porque eu dar mais detalhes.

O conto é narrado em primeira pessoa, pelo próprio taberneiro. Um recurso que gosto muito em contos, fica mais dinâmico e deixa o leitor bem próximo ao personagem central.

Creio que a narrativa tem como um de seus objetivos dar mais detalhes sobre Herannon. Gostei muito de ver novos detalhes não só do mundo como de sua história.
Pra quem já leu O Aprendiz do Arquimago, recomendo muito que leia o conto também; é uma excelente leitura complementar. Quem não leu o livro, pode ler sem medo, é um história nova e independente. Ah, e muito cativante!

O livro preza pela boa escrita. Iora é consistente e criativo, mesmo em um pequeno conto.
Recomendo muito!

Nota: 5 Canecas de Hidromel



Conheça mais sobre: Site | Amazon | Skoob

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

[Livro] 2011 D.C., O Condado dos Expatriados - Ricarte Sales

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

2111 D.C. O Condado dos Expatriados:

Autor: Ricarte Sales
Série: 2011 D.C. Vol. 1
Edição: 1
Editora: Ler Editorial
Ano: 2015
Páginas: 240
Sinopse: Em dezembro de 2036, um mês após eclodir a Terceira Grande Guerra, uma série de catástrofes, aparentemente naturais, e uma suposta arma química em forma de vírus, dizimou, a nível global, mais de 99,9% da espécie humana.
Nos seis meses que se seguiram, o nível do mar subiu cerca de 70 metros, ao passo em que a crosta terrestre tornou-se instável, salvo um conjunto de arquipélagos recém-formado, nas proximidades fronteiriças das antigas nações da Costa Rica e Panamá. Por motivos ainda não conhecidos, essa passou a ser a única área estável do planeta de que se tem notícia.
Nas primeiras duas décadas após o Dezembro de 2036, ou “D36” como ficou conhecido, esta área foi sistematicamente ocupada pelos últimos remanescentes da população humana. A maior parte, resgatada e trazida por expedicionários, dos mais variados rincões dos antigos continentes.
Doze Cidades-Estado emergiram e a zona estável, com as mais de duzentas ilhas que a compunha, foi demarcada e subdividida entre elas. Posteriormente, este número cairia para onze Cidades-Estado.
E é neste instável cenário político, de mares salpicados por ruínas, navegantes exploradores e criminosos expatriados de vida nômade, que o Capitão Cananeu Zus Airã narrará os 111 dias de uma saga que poderá conduzir a zona estável e suas novas e últimas nações, para aquilo que uma profecia “Pós-Apocalipse” alude ser: o Quarto e Último Grande Conflito entre Tribos.

Em águas e terras estranhas, sempre considere a pior hipótese como a mais provável.

Este texto é livre de spoilers.

O livro se passa em um mundo distópico onde a população mundial foi quase dizimada e o planeta é mais aquático que nunca. A trama é sobre o Capitão Zus Airã, que depois de um incidente se perde e vira um náufrago. Ele vaga pelo novo mundo e se depara com perigosos narcomercadores expatriados.

Bem se vê desde o começo que é um livro feito com esmero. Detalhes importantes e trama muito bem construída. Apesar de a narração ser feita por um personagem, o autor usa diversas vezes de um recurso para contar o passado e o presente desse mundo: através de diálogos e suposições dos próprios personagens. Isso, mais o fato dos capítulos serem curtos, a história fica bem fluida e a leitura corre solta.

O personagem principal é o Capitão Zus Airã. É um personagem forte e sagaz, um ótimo protagonista. Há outros personagens, mas nenhum com tamanha expressão na narrativa como esse. Tudo gira em torno dele. Assim, o livro carece de grandes personagens, mas os poucos que participam chegam a cativar, como a Branca de Neve.
Interessante é que como Zus está em terras e águas estranhas, não conhece ninguém, sendo assim, não sabe os nomes de ninguém. Então os personagens são chamados por apelidos cedidos pelo capitão.

- A bem da verdade, Homem de Canaã, os únicos amigos de um expatriado, é sua faca, seu cão, e os sete palmos de terra que o aguarda.

A trama se passa no ano de 2111. Algo aconteceu com o mundo e a população mundial foi quase dizimada. As calotas polares degelaram e o mundo foi inundado, restando apenas algumas ilhas habitáveis. É um cenário diferente das distopias atuais (lembra muito aquele filme antigo com o Kevin Spacey, Waterworld - O Segredo das Águas), mas também retrata, ainda de forma superficial até mesmo por ser o primeiro livro de uma trilogia, a organização política, algo que pesa muito ao gênero distópico. Como disse, essa parte é meio superficial, mas o livro deixa claro que será de suma importância em suas sequencias. A história é mais de exploração e aventura em um cenário distópico.

A narrativa tem uma escrita quase que formal demais. Pode complicar a leitura, mas apenas no começo. Depois que a história engrena o leitor já há de ter se acostumado ao modo de relato.

A edição tem uma capa muito bonita, sem erros de português e uma diagramação muito boa. No fim há um mapa e as bandeiras das novas nações. Este é o primeiro livro de uma trilogia a ser lançada pela Ler Editorial.

Em suma, um livro incrível, com uma história original e um bom protagonista. Uma leitura fluida e imersiva. Um livro distópico diferente e cativante!

Nota: 4,5 Canecas de Hidromel



Sobre o autor:

Ricarte Sales nasceu em 1979, no Rio Grande do Norte. Mora na cidade do Rio de Janeiro desde 2001. Leitor assíduo e autodidata, com uma paixão especial pelas tramas de Ficção Política, Ricarte deu vida a distopia "2111 D.C. - O Condado dos Expatriados".

O livro de estreia do autor será lançado em breve com o selo Ler Editorial e é o primeiro volume de uma Trilogia.

Facebook | Skoob | Editora



Até mais, e obrigado pelos peixes.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

[Livro] A Morte e os Seis Mosqueteiros - Anatole Jelihovschi

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

A Morte e os Seis Mosqueteiros:

Autor: Anatole Jelihovschi
Edição: 1
Editora: Jaguatirica
Ano: 2014
Páginas: 140
Sinopse: Em seu novo romance policial, Anatole Jelihovschi mergulha fundo no cotidiano das infâncias perdidas, dos relacionamentos partidos, das oportunidades que tantos ainda acreditam distantes demais da realidade.

A morte e os seis mosqueteiros é a história de seis garotos muito amigos de uma favela. Quando crianças, tudo era uma grande brincadeira. Os meninos gostavam de se imaginar nos mundos de capa e espada, ou na peça ‘O fantasma da ópera’, mas na verdade moravam em uma favela violenta, com bandidos e policiais trocando tiros e matando gente. Ainda quando a infância sequer os havia deixado, a violência e o tráfico na comunidade em que viviam, de uma forma ou de outra, acabariam por envolvê- los em uma teia de morte, assassinando seus sentimentos, valores e, principalmente, sua amizade.

Na favela não existe futuro, não. A gente ganha dinheiro para ter comida em casa e tomar cerveja no fim de semana, quando dá. Ninguém estuda para se tornar doutor ou casar com garota rica, ganhar dinheiro e essas coisas todas. A gente precisa botar comida em casa, e é só. É isso hoje, vai ser isso amanhã. Ninguém lá pensa no futuro, só importa o hoje. (...) Por isso esse negócio de morrer com dezessete, vinte e cinco ou oitenta anos, dá tudo na mesma. Ninguém tem futuro pela frente mesmo, e não se perde nada ao se morrer jovem aqui.

Este texto é livre de spoilers.

Zequinha, Juca Pelo de Burro, João Mocotó, Zé Grande, Batata e Meia-Noite são grandes amigos que passam a infância inocente na favela, brincando e crescendo. Fingem ser Os Seis Mosqueteiros e fazem a promessa de um por todos e o todos por um. Porém as crianças crescem em um lugar sujo e vulgar e a vida os separa. Cada um segue um rumo. Zequinha, o narrador da história, procura estudar e arrumar um emprego. Os outros mosqueteiros, alguns morreram, outros entraram para a vida de crime. O certo é que o bando se separou, mas um laço ainda os unes e essa é a trama do livro.

Já ouviu a expressão Pé na porta, soco na cara? Bem, o livro faz jus a essa expressão. O modo como o autor retrata a vida na favela é bem imersivo e causa um impacto no leitor. Retrata diversos temas pesados como o tráfico, pedofilia, preconceito e vingança.

O livro é narrado sob o ponto de vista de Zequinha, que nos mostra, desde a infância até a vida adulta, as dificuldades de se viver numa favela. As mortes, os medos e os perigos. A narração é bem simples e fluida. A simplicidade é proposital, pois Zequinha abandona os estudos logo cedo. É apenas mais um menino de favela, sem sonhos e sem futuro.

O enredo é cativante e como toda boa obra que retrata a realidade brasileira é imprevisível. Não dá pra saber o que vem em seguida. Sendo assim, capítulo a capítulo o leitor se vê preso numa trama muito bem fechada e com um final totalmente inesperado. Achei o final inusitado, não me empolgou tanto, mas valeu cada página virada, cada palavra lida.

A edição é muito bem revisada, com uma capa que consegue transmitir a sua essência. É bem pequena, apenas 140 páginas, mas é grande de conteúdo.

Nota: 4,5 Canecas de Hidromel


O leitura foi realizada graças ao Book Tour! (O mesmo livro é passado entra alguns blogueiros para a realização de resenhas). Mais 3 blogs fazem parte da viagem desse livro. Dois blogs já publicara suas resenhas:
Leituras e gatices
Eu curto literatura

E o próximo a resenhar será:
Oráculo de elfos

Gostaria de agradecer novamente o contato e a oportunidade. Adorei participar desse Book Tour!
Até mais, e obrigado pelos peixes!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

[Filme] O Último Caçador de Bruxas

Olá, pessoas!
Hoje o papo é filme!

O Último Caçador de Bruxas:

Título Original: The Last Witch Hunter
Ano: 2015
Duração: 106 minutos
Gênero:  Ação, Fantasia
País: E.U.A.
Direção: Breck Eisner
Roteiro: Cory Goodman, Matt Sazama, Burk Sharpless
Elenco: Vin Diesel, Elijah Wood, Rose Leslie, Julie Engelbrecht, Michael Caine
Sinopse: Amaldiçoado com a imortalidade, o caçador de bruxas Kaulder (Vin Diesel) é obrigado a enfrentar mais uma vez sua maior inimiga e unir forças com a jovem bruxa Chloe (Rose Leslie) para impedir que uma convenção espalhe uma terrível praga pela cidade.

- Você quer desistir?
- Não. Eu quero um aumento!

Este texto é livre de spoilers.

Um misto de ação e fantasia que traz Vin Diesel no papel de Kaulder, um caçador de bruxas que foi amaldiçoado a ser imortal. O caçador vive a 800 anos servindo a Ordem Machado e Cruz, organização responsável  por proteger a humanidade das bruxas.

Não gosto muito dos filmes blockbusters americanos que acabam nos enchendo de explosões e esquecendo-se do roteiro, mas esse parecia diferente. Vin Diesel num filme com fortes elementos de fantasia. Fiquei curioso e fui ao cinema.


O filme nada mais é que um filme de ação sem muita ação, mas com fantasia no lugar. Magias e bruxas no lugar dos lutadores e policiais. A premissa é a mesma: Começa com uma cena impactante, mostra o personagem principal sendo O Cara. TÍTULO COM LETRAS LEGAIS NA TELA. Começa o filme. Personagem principal charmoso e habilidoso em ação. Depois mostram os amigos que cativam. Alguém morre. Mocinho vai atrás de vingança e descobre um plano maligno acontecendo. Mocinho bate em uns caras por aí. Mocinho encontra mocinha. Mocinho salva o dia e todos vivem felizes para sempre. A fórmula é mais ou menos essa e o filme segue bem isso, mas tem algumas diferenças.
Primeiro, o filme não cai naquele clichê da mocinha inofensiva e daquele romance forçado entre os protagonistas. A dupla Vin Diesel e Rose “Beijada pelo fogo Você não sabe nada Jon Snow” Leslie formam um par que mais parece um casal de amigos que vão se conhecendo e se aproximando por causa das dificuldades e das situações, sem aquele romance água com açúcar hollywoodiano tão comum. E a dupla tem um boa química nas telonas.
Segundo o filme tem vários elementos da fantasia como magias e seres ancestrais misturados num ambiente atual. Tipo uma fantasia urbana. Ainda que conte com um roteiro clichê, esses detalhes enaltecem a obra. Uma história regular, com um universo bem montado, cativa o espectador.

As atuações estão bem pobres a meu ver. Vin Diesel veste a sua faceta de sempre e é Vin Diesel, o homem que não consegue demonstrar emoções, mas mesmo assim tem carisma sabe-se lá como. Elijah Wood está lá, mas não aparece muito, o que é um erro por ter um personagem tão importante para a trama. Michael Caine é outro mal aproveitado. Rose Leslie não está mal, mas tem um desempenho regular sem chegar a cativar de fato. A direção e a fotografia seguem os padrões e nem decepciona, nem surpreende.


A trama chega a convencer mesmo com aquelas facilidades que os roteiristas amam colocar, mesmo que não façam muito sentido, e os efeitos são excelentes, mas hoje, num mercado tão acirrado como é o cinematográfico, o filme precisa de mais do que isso para ganhar público. Eu gostei do filme, fui esperando um filme regular apenas para entretenimento e é isso o que ele é. O Último Caçador de Bruxas não chega a ser ruim, mas não é nada demais. Cumpre o papel de simples entretenimento e nada mais. Caso um dia esteja de bobeira e o filme esteja passando na tv, ou disponível no Netflix, pode até valer a pena, mas não vá esperando um grande filme.

Nota: 3 Canecas de Hidromel.



Até mais, e obrigado pelos peixes.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

[Filme] A Colina Escarlate

Olá, pessoas!
Hoje o papo é filme!

A Colina Escarlate:

Título Original: Crimson Peak
Ano: 2015
Duração: 119 minutos
Gênero:  Terror, suspense
País: E.U.A.
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro, Matthew Robbins, Lucinda Coxon
Elenco: Mia Wasikowska, Jessica Chastain, Tom Hiddleston, Charlie Hunnam, Jim Beaver
Sinopse: Quando o coração dela é roubado por um estranho sedutor, uma jovem mulher é arrastada para uma casa no topo de uma montanha de barro vermelho-sangue: um lugar repleto de segredos que vão assombrá-la para sempre. Entre o desejo e as trevas, entre mistério e loucura, encontra-se a verdade por trás de Crimson Peak, a Colina Escarlate.

Não é uma história de fantasmas. É uma história com fantasmas.


Este texto é livre de spoilers!

A Colina Escarlate conta a história de Edith Cushing que se apaixona por sir Thomas Sharpe, um baronete misterioso, que vem a cidade junto de sua irmã Lucille Sharpe pedir investimentos para sua invenção, uma máquina capaz de tirar a argila vermelha das minas de sua propriedade. Edith tem a habilidade de ver fantasmas e quando chega à casa do baronete, vê que aquele lugar também tem seus mistérios.

Sempre que posso vejo as obras de Del Toro, famoso por criar mundos impressionates, novos e fantásticos, e não decepciona em A Colina Escarlate. O filme é muito belo visualmente, muito intrigante e com uma grande quantidade de mistérios. O que peca é que o filme não é nada surpreendente. Dá lá seus sustos e os mistérios são envolventes, prende o espectador, mas no fim, é apenas o de sempre. Impressiona, mas não surpreende.


Outro motivo que me fez querer ver o filme foi a participação de dois atores. Primeiro o Tom Hiddleston, em alta agora por interpretar o vilão Loki no universo Marvel. No filme ele é o baronete. Aqui ele está muito bem, mas nada de impressionante. Aliás, quase todo o elenco é assim. Consistente e regular, mas nada de muito chamativo, com exceção à Jessica Chastain, que interpreta Lucille, irmã de Sir Thomas. Seu desempenho se sobressai no meio de toda regularidade.

Charlie Hunnam também participa desse filme, como um oftalmologista que é apaixonado pela Edith. Esse ator me ganhou com a série Sons Of Anarchy. Se você não assistiu, talvez o conheça como o protagonista de Círculo de Fogo (Pacific Rim). Como já tinha dito, atuação regular, mas nada demais. Ele tem um jeito marrento demais, o que não combina com papéis de bonzinho, creio eu.

Mia Wasikowska interpreta Edith Cushing, uma personagem forte e decida. Aspirante a escritora, cai nas graças do baronete intrigante. Quando pequena, recebe uma mensagem de sua já falecida mãe. A atuação de Mia é razoável também, o que não é tão bom por ser protagonista, mas não chega a decepcionar.


O visual é muito bonito, idem os efeitos, o que deixa o filme bem cativante. A criatividade de Del Toro escorre pelas paredes d’A Colina Escarlate, envolvendo o espectador numa trama misteriosa de um clima muito tenso e sombrio. Eu diria que a casa da família Sharpe é quase um personagem, semelhante com o que acontece com o Hotel Overlook, em O Iluminado, graças a esse clima sinistro.

O filme consegue ser um misto de horror, fantasia, suspense e romance. Por mais criativa que seja, a obra não surpreende no fim. Mesmo sendo muito admirável, o desfecho é totalmente previsível. Mesmo sendo um filme mediano, vale o tempo gasto pra quem gosta de um bom suspense com pitadas de terror.


Nota: 3,5 Canecas de Hidromel.


Até mais, e obrigado pelos peixes!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

[HQ] Assassinatos na Rua Morgue - Edgar Allan Poe

Olá, pessoas!
Hoje o papo é história em quadrinhos!

Assassinatos na Rua Morgue:

Autor: Edgar Allan Poe
Adaptação: Carl Bowen
Ilustrador: Emerson Dimaya
Tradução: Cassius Medauar
Título Original:  The Murders in the rue Morgue
Edição: Volume único
Páginas:  72 páginas
Editora: Farol HQ
Sinopse: A clássica história de mistério escrita por Edgar Allan Poe no século XIX chega agora em uma adaptação para os quadrinhos. A busca de um homem para solucionar um misterioso assassinato é retratada em ilustrações de arrepiar. Dupin foi o primeiro detetive de novelas policiais, e influenciou Arthur Conan Doyle na construção de seu mais famoso personagem, Sherlock Holmes.

Houve um assassinato. Dois, na verdade. Sou Auguste Dupin, um detetive. Mas não um detetive comum, se me permite. Meu intelecto é tão aguçado que já resolvi esse caso. Quer saber quem é o assassino? Você pode achar que sim, mas tenho minhas dúvidas, pois a resposta vai chocá-lo. Você vai me dizer que é humanamente impossível. Até absurdo. E eu responderei... que é mesmo!

Mas aconteceu mesmo assim. E mostrarei a você como foi...

Este texto é livre de spoilers!

Assassinatos na Rua Morgue, um grande clássico policial de Edgar Allan Poe, agora em quadrinhos pela Farol HQ, selo da Farol Literário.
O detetive Dupin e seu amigo narrador sem nome se deparam com um caso bizarro nos jornais: Mãe e filha são brutalmente assassinadas em suas casas e ninguém sabe quem foi ou o porquê. A policia, então, prende um suspeito, amigo de Dupin. O detetive resolve investigar por conta própria e, usando de seu intelecto privilegiado, vai em busca do assassino.

A princípio, fiquei com o pé atrás em relação a essa HQ, pois os contos de Poe são prestigiados pelo modo do escritor narrar. Poe traz um ambiente soturno através da narração e, pra mim, uma HQ poderia tirar essa qualidade da história.
De fato, a HQ prende o leitor mais pelo suspense de descobrir os mistérios, diferentemente do conto original, mas, mesmo assim, vale a pena.

A história é muito boa, apesar de curta. O mistério e as pistas vão pairando pela mente do leitor e nada faz sentido, mas de repente vem Auguste Dupin e diz já ter solucionado o crime.
Auguste Dupin foi o precursor das histórias policias, influenciando a criação de Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle e Hercule Poirot, de Agatha Christie, por exemplo.

A ilustração é boa e eu achei que faz jus ao clima de Edgar Allan Poe. No fim da HQ, há umas informações sobre Poe, sobre a história original e sobre o adaptador e o ilustrador, além de um glossário (meio sem necessidade, creio eu).

 

Em suma, um ótimo passatempo, mas nada tão profundo como a obra original.

Nota: 3 Canecas de Hidromel!



Até mais, e obrigado pelos peixes!

[Parceria] João Gabriel Brene

Olá, pessoas!
Com muita alegria vem apresentar-lhes o mais novo autor parceiro deste humilde blog! João Gabriel Brene, que lançou Johnny Bleas – Um Novo Mundo este ano pela editora Pandorga. Vamos conhecer mais sobre?

 Um mundo de duendes, castelos e piratas.

O Livro:

A obra conta a história do órfão de pai e mãe, Johnny Bleas, que mora com seus tios em uma fazenda no interior do estado. Mas, ao acordar certa manhã e deparar-se com a horrível cena de assassinato dentro de sua própria casa, a sincronia da sua vida se desfez e seu mundo começa a girar em meio a inesperadas desventuras.
O triste som da morte abre as portas para algo que Johnny nunca poderia imaginar. Com o descuido de um passo em falso, ele é levado a uma nova dimensão, um novo mundo onde gnomos, castelos e piratas são apenas o começo. Um lugar mágico em que os enigmas do seu passado são revelados, onde o oculto que por tanto tempo dormiu, renasce e o assassino é descoberto em uma trama muito maior do que o esperado.
Asterium é o novo mundo, onde cada uma das peças do quebra cabeça se reconstitui, à medida que antigas peças se encaixam, novos mistérios nascem a partir de uma profecia que lhe defronta com o medo e a coragem de encarar um novo destino. Com 216 páginas, o leitor vai viajar numa incrível história de aventuras e fantasias, em que mistérios e feitiços são só um detalhe.

O Autor:

Determinado a expor sua criatividade, a fim de promover o poder da imaginação, João Gabriel Brene, escreve e conta obras de ficção e aventura desde a infância. Formado em Design de animação, especializou-se em efeitos visuais e 3D, em Los Angeles Califórnia. Ao voltar ao Brasil se dedicou ao empreendedorismo, computação gráfica e seguiu sua carreira acadêmica buscando ampliar seus horizontes com um master em marketing e gestão comercial. JG Brene é amante da arte, fã de cinema e grande apreciador de vinhos e boa gastronomia.

Website | Instagram (@jgbrene) | Twitter | Fanpage | Google+

Agradeço muito ao autor pela parceria, estou muito feliz! E aguardem pois terá resenha em breve!
Até mais, e obrigado pelos peixes!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

[Livro] Clube da Luta - Chuck Palahniuk

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

Clube da Luta:

Autor: Chuck Palahniuk
Título Original: Fight Club
Edição: 1
Editora: LeYa
Ano: 2012
Publicação Original: 1996
Páginas: 270
Tradutor: Cassius Medauar 
Sinopse: Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da Luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um cânone da cultura pop.
O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente.

Esta é a sua vida e ela está acabando, um minuto por vez.

Este texto é livre de spoilers!

Após noites de insonias e viagens a trabalho, o personagem-narrador conhece Tyler Durden, um verdadeiro anarquista e, juntos, criam o Clube da Luta, um lugar para esquecer o seu emprego, as suas dívidas, o seu status social e tudo aquilo que o sistema te empurra. Mas não se engane, o livro não é sobre o clube, mas sim sobre o que ele representa: ninguém é especial por causa da sua roupa de marca ou dos belos sofás na sala de estar, você é apenas mais um, exatamente como esse outro esmurrando a sua cara.

O livro é niilista do começo ao fim. Ele desconstrói toda a visão de sociedade que temos, sobre arranjar um bom emprego, ser alguém na vida, ter coisas legais e bacanas. A crítica é pesada em relação ao consumismo. Não sabia exatamente como categorizar esta obra. Uma aventura? Talvez. Um suspense? É bem provável. Mas acho que romance é a palavra certa. Tem o herói, tem vilão, tem mocinha. Tem uma história profunda e um desenrolar surpreendente.

"Queria destruir todas as coisas bonitas que nunca tive. Queimar a floresta tropical amazônica. Bombardear CFC direto para a camada de ozônio. Abrir as válvulas de descarga dos tanques dos superpetroleiros e destampar as plataformas de petróleo em alto-mar. Queria matar todos os peixes que não consigo comprar para comer e sujar as praias francesas que nunca verei.
Queria que o mundo todo chegasse ao fundo do poço."

O personagem principal não tem nome. Até tem, mas não é mostrado. É ele quem narra a história. Nos diálogos, além de suas falas, aparecem seus pensamentos sobre suas respostas. Juntando tudo isso, a leitura é muito imersiva. É como se fosse você vivendo aquilo, e então você começa a fazer os mesmos questionamentos do personagem.
O personagem-narrador tem um caso grave de insonia, então a trama não segue exatamente um linha contínua. A história tem uns lapsos, uns espaços em branco para mostrar como o personagem se sente. Algumas coisas vão e voltam, mas não é confuso, está muito bem escrito. Inclusive o começo do livro é o fim da história.

O fim é surpreendente. É daqueles que você lê, sua mente estala e sente a ficha caindo.
"Mas Kaio, eu já vi o filme, preciso ler o livro também?"
MAS É ÓBVIO. É bem verdade que o filme é uma excelente adaptação, um verdadeiro marco do cinema. Mesmo assim, leia o livro. O Chuck é um ótimo escritor, vale a pena. O final é diferente também.

A edição do livro é ótima, com folhas grossas e amareladas, capa com relevo e abas largas, pouquíssimos erros de grafia e conta com um posfácio em que o autor fala um pouco sobre o sucesso da obra.

Resumindo, uma ótima obra, bem escrita, profunda e surpreendente. Leia logo! Anda!

Nota: 5 Canecas de Hidromel


Até mais, e obrigado pelos peixes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

[Livro] Distopia - Kate Willians

Olá, pessoas!
Estou participando do Book Tour (o mesmo livro passa de blogueiro por blogueiro e cada um vai resenhando) do livro Distopia! Enfim o livro chegou para mim. Vamos ver o que achei?

Distopia:

Autora: Kate Willians
Edição: 1
Editora: Arwen (Selo Literata)
Ano: 2015
Páginas: 318
Sinopse: Em uma sociedade governada por militantes, com um sistema incorruptível, as crianças são isoladas no regimento militar aos sete anos de idade e treinadas para serem soldados. Lá, eles aprendem da forma mais cruel a atirar e a matar, perdendo muito cedo a sua inocência. Depois da Grande Guerra, o mundo passou a ser dividido entre governantes e governados e cada um tem as suas dores, suas mágoas e limitações. E o que nos resta saber é: de qual lado você está? Porque no final das contas, não estamos vestidos para lutar... Assim como nunca estaremos vestidos para morrer...

"Ninguém sabe que terá que lutar até levar o primeiro soco."

Este texto é livre de spoilers!

Em um futuro distópico (ah, vá!) onde a sociedade é dividida em duas castas, os governados, que vivem fora dos muros da cidade, onde tudo é cinza, e os governantes, que vivem no luxo da cidade colorida, crianças são obrigadas a entrarem no regimento militar, ambiente cruel em que os garotos aprendem a servir e a matar.
Nesse ambiente conhecemos Thiago, um governado que é separado de sua família para servir o regimento, em contraste a Laura, uma governante, filha do coronel do Norte, que vive cercada pela família e sendo mimada por eles.

É um livro com pontos fortes. A trama retrata um mundo totalitarista, onde ninguém é realmente livre, mas creio que esse não é o foco do livro. O que pude ver é que o tema principal do livro é a amizade. O poder da amizade, na verdade.
O livro intercala entre os pontos de vista de Laura e Thiago, que a priori não tem relação, mas acabam se envolvendo com o desenrolar da história. Thiago vive o sofrimento dos governados, entretanto tem ao seu lado amigos verdadeiros. Juntos, eles aprendem a conviver com essa dor.
Já Laura é uma garota meio rebelde e tem seus irmãos. Um deles, o Stephen, é seu melhor amigo. Depois a garota começa a fazer amigos e esses laços ultrapassam barreiras.


A Laura é uma personagem bem irritante. Sim! Birrenta e mimada. Ao mesmo tempo em que é uma personagem forte, que sabe bem o que quer e não se deixa entrar no sistema machista, ainda é uma governante e acaba vivendo em um certo conforto. Mesmo rodeada por um ambiente rigoroso, sempre tem o que quer. Veja bem, é uma personagem forte, que impõe respeito, mas também possui uma certa infantilidade.
Já Thiago não tem tanta expressão, apesar de ser mais carismático. O que tem expressão é o seu grupo. Ele, Ângelo, Lucas e Nícolas são grandes amigos e mesmo nos piores momentos sempre se ajudam, se consolam e se animam. A sensação que a escritora passa com esse pessoal é cativante, mostrando a importância dessa amizade.

A autora foge um pouco do padrão e os poucos momentos de romance não são muito importantes para a trama. Ponto positivo! É mais para crescimento de personagem.
Além de Thiago e Laura, outro personagem que merece destaque é Enzo, um dos instrutores. Muito legal e cativante, com uma história muito bacana.


O livro é dividido em duas partes. Na primeira parte cada capítulo tem em seu fim um interlúdio, em que o personagem foco aparece quando criança. Um grande acontecimento separa as duas partes. A segunda parte não apresenta mais interlúdios e aqui a trama corre fluida até o derradeiro fim. O enredo se desenrola de forma suave, mesmo nesse ambiente pesado. No começo pode ficar confuso devido ao vai-e-vem com o passado e presente dos personagens, mas nada demais.

A edição é caprichada. Tem uma capa muito bonita com efeito. Cada capítulo leva o desenho da capa em seu início. A diagramação é ótima e os erros de português são inexistentes ou imperceptíveis.

Nota: 4 Canecas de Hidromel


Como eu disse no começo, essa resenha faz parte de um Book Tour, então gostaria de agradecer novamente à Kate. Foi muito prazeroso poder ler e resenhar essa linda obra. Aproveito e deixo os links das resenhas que já saíram nesse viagem literária:


Até mais, e obrigado pelos peixes!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

[Livro] Limbo - Thiago d'Evecque

Olá, pessoas!
Hoje o papo é livro!

Limbo:

Autor: Thiago d'Evecque
Edição: 1
Editora: Publicação Independente (Amazon)
Ano: 2015
Páginas: 165
Sinopse: O Limbo é para onde todas as almas vão após a morte. Além de humanos, deuses esquecidos e espíritos lendários também vagam pelo plano. Muitas almas sabem exatamente onde estão e por que; a maioria, entretanto, ainda tem a impressão de estar viva. A morte é um hábito difícil de se acostumar.
Um dos espíritos residentes no Limbo acorda sem nenhuma lembrança de sua identidade. Ele descobre que a Terra está prestes a ser destruída pelos próprios humanos e fica encarregado de enviar doze almas heroicas de volta. Elas reencarnarão no plano dos homens e tentarão reverter o quadro apocalíptico.
Contudo, poucas almas encaram o retorno com bons olhos. O espírito deve, então, forçá-las. Armado, de preferência. Assim, resolve visitar um velho amigo: Azazel, anjo ferreiro e primeiro escolhido da lista.
O espírito descobre mais sobre quem realmente é, ouve uma versão completamente diferente sobre a rebelião dos anjos e é presenteado com uma surpresa de péssimo gosto.
LIMBO mistura elementos e referências de videogames, RPGs, HQs, animes, mangás, filmes, séries e livros. De Lovecraft a Final Fantasy, é uma homenagem às influências que marcaram o autor.

"É engraçado como a covardia é universalmente desprezada. A infâmia que gera independe de sociedade, época ou indivíduos. Não importam a situação, as condições, o que está em jogo, nem o que você pode estar abrindo mão — fugir, desistir, abster-se de um ato, mesmo que suicida, é uma desonra aos olhos do mundo. Na verdade, quanto mais suicida, maior a honra concedida ao feito. Existe um fanatismo pela coragem, e o fanatismo não é virtude. O que é universalmente admirado também é admirado por idiotas."

Este texto é livre de spoilers!

O cenário é o Limbo, lugar para onde vão os mortos, lar das criaturas esquecidas. Um dos espíritos residentes acorda sem saber quem é, sabe apenas de sua missão: enviar doze almas de volta à Terra, que se encarregarão de ajudar a humanidade, pois o fim é iminente. O fantasma, munido de uma arma espiritual, vaga pelo Limbo em busca de seus escolhidos, ao mesmo tempo em que vai descobrindo mais de seu passado.

Uma ode às mitologias, Limbo é um livro fluido, original e cativante. Basicamente, cada capítulo mostra uma das doze almas, quem são, seus passados, suas personalidades e o que representam.
O livro é um misto de gêneros, por assim dizer, mas prevalesse a fantasia. Tem toques de niilismo, boas lutas, reflexões filosóficas e um ótimo alívio cômico.

A história é bem linear e, como capítulo se refere a um personagem e o ambiente que o cerca, o livro parece um jogo que você passando de fase até chegar no "chefão" (Quem assistiu a saga das doze casas, em Cavaleiros do Zodíaco, sabe muito bem do que estou falando. Óbvio que sem aquela perda de tempo que era correr pela escadaria infinita do Santuário). Pelo mesmo motivo, é bem diversificado, de impossível monotonia. Cada parte é um ambiente diferente, um personagem diferente, uma discussão diferente.
Personagens, esses, tirados direto da lendas e mitologias que rodeiam o globo. Podemos citar alguns, como Sherazade, protagonista de "Mil e Uma Noites", épico onde é apresentado histórias como Aladdin e Ali Babá e os Quarenta Ladrões; e Roland, guerreiro do exército de Carlos Magno, que teve seus feitos mistificados pelos bardos e pelo passar das eras.
Impossível não se encantar com esses personagens, cada um ao seu modo. Quem gosta de mitologias, como eu, vai adorar. Quem não conhece muito, não tem problema, os feitos de cada um é contado no livro e adaptado para se encaixar na historia de Thiago d'Evecque.

Por ser pequeno e bem escrito, a leitura é muito rápida. A escrita do autor é impecável. Cativante e cheia de referências. Consegue abordar alguns temas debatido por Nietzsche ou Descartes sem complicar, ao mesmo tempo que várias tiradas sarcásticas são feitas. Mesmo sendo completo e com tudo encaixado, fica um gosto de quero mais. Talvez um novo volume sobre as almas que reencarnaram na Terra? Ou uma versão detalhada para a condenação dessa alma fantasmagórica a vagar pelo Limbo? Não sei, sei que quero mais.

A edição é em ebook, lançada em 2015, com uma capa muito linda, vendida pela Amazon. Ao fim, tem notas do autor sobre cada personagem e algumas referencias contidas no livro.

Em suma, um ótimo livro de fantasia, personagens icônicos e bem caracterizados, escrita fluida e repleto de discussões, lutas e humor. Ah, e referências. Muitas referências.

Nota: 5 Canecas de Hidromel


Sobre o autor:


Thiago d'Evecque é escritor, jornalista e carioca. Movido a café, escreve sobre literatura, games, séries, vida, universo e tudo mais no site pequenosdeuses.com.br
Seu primeiro livro, Limbo, é uma grande homenagem às influências que o marcaram. Thiago misturou elementos e referências de videogames, RPGs, HQs, animes, mangás, filmes, séries e livros. De Lovecraft a Final Fantasy, Limbo está repleto de menções e pequenos tributos à cultura nerd.

Site | Amazon | Twitter | Facebook | Instagram | Skoob



Até mais, e obrigado pelos peixes.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

[Conto] Armas na Cidade


Armas na Cidade
Kaio P. Arantes

     A fumaça subia e o trem passava enquanto Billy Joe voltava pra casa. O jovem caubói gostava de andar por aí, viajar, conhecer lugares. Isso o fazia sentir-se vivo. O que lhe incomodava era seu rosto jovem. “Como pode um bebê andar por aí sozinho?”, lhe diziam. “Onde está a mãe dessa criança perdida?”, lhe cuspiam com risadas. “Calem a boca!”. Billy sabia se virar sozinho e já era um homem. Disso ele tinha certeza.
  Abrindo a porta, o jovem caubói sentiu o cheiro do jantar e ouviu o grito de sua mãe. “Billy, meu menino, é você?”. Era bom estar em casa. “Seu Billy já é um homem, mãe”, dizia o jovem de cabelos pretos. “Nada de armas na mesa”, dizia sua mãe, enquanto Billy tirava o cinto e o pendurava na parede. Aquele par de pistolas e uma porção de garrafas vazias eram a única herança que seu pai lhe deixara.
  Acordou de manhã bem cedo ouvindo os galos. Dormira mal, lembranças e pesadelos lhe causaram insônia naquela noite.  Ajudou a mãe na colheita o dia inteiro e a noite se preparou para visitar a cidade. Billy trocou de roupa, limpou suas botas e penteou seu cabelo preto pra baixo. “Não leve as armas para a cidade, filho. Deixe-as em casa”, sua mãe pedia. “Seu Billy já é um homem, mãe. Posso atirar mais rápido que qualquer um. Mas não se preocupe, eu não atiraria sem motivo!” Dizia rindo e dando um beijo na mãe.
  Ao fechar a porta o sorriso desapareceu. Ele não atiraria sem motivo, isso é verdade, mas não quer dizer que ele nunca atirou sem motivo. Em suas andanças, o jovem caubói visitara Reno e lá atirou em um homem só para vê-lo morrer. Foi na beira de uma ferrovia. Sempre que escutava o apito do trem, Billy segura a cabeça e chora. “Eu já sou um homem agora”, falava Billy, tentando afastar os maus pensamentos. “Vou para a cidade ver a minha Bárbara! Ela é minha e por ela eu ando na linha!”.
  O caminho era quase uma viagem e Billy ia cantarolando. “I dreamed I held you in my arms when I awoke, dear, I was mistaken...”. A brisa suave beijava seu rosto.  A lua iluminava seu caminho. As armas pesavam em sua cintura. “So I bowed my head and I cried, you are my sunshine, my only sunshine...”. A placa com buraco de bala dizia “Bem-vindo a cidade de San Quentin”, mas Billy não se sentia bem-vindo. Odiava cada pedacinho daquele lugar. Ali era um inferno.  A bagunça vinda das tabernas era ouvida do começo da cidade. Era gritaria, risadas, tiros para o ar, mas o jovem caubói não se preocupava. Um sorriso nasceu em sua face. “Vou pegar minha doce Bárbara e minha querida mãe e vamos embora desse maldito lugar!”. O rosto da garota da cidade era o que aparecia em seus devaneios. “Eu já sou um homem”, pensava. Mas as palavras se dissipavam e a voz de sua mãe inundava sua cabeça. “Não leve as armas para a cidade, filho. Deixe-as em casa”.
  Billy fora de encontro a sua amada. “Um dia iremos embora daqui! Vamos viver num lugarzinho no meio do nada. Viveremos em paz, minha querida!”. O sorriso que vinha acompanhado de tais palavras morreu ao ver as feições de Bárbara. “Não seja bobo, Bill! Isso não daria certo. Eu sou uma garota da cidade e você é da fazenda! Viveremos como hoje para sempre ou não ficaremos juntos!”. “Confie em mim! Eu já sou um homem e juntos conseguiremos!”. Billy sempre percebera que seu romance era sem futuro. Ambos eram muito diferentes e o caubói sabia que um dia iria acabar. Acontece que saber disso não fazia com que ele aceitasse isso.
  Depois de algumas horas com sua amada, Billy resolvera ir para a taberna. A caminho, um velho bêbado abraçou Billy e o hálito de rum invadiu suas narinas. “Mas isso é hora de crianças estarem na rua? Onde está sua mamãe? Há!”. Ria e soluçava. Billy o empurrou. “Eu já sou um homem”. Mas o bêbado, trôpego, já ia embora rindo. Billy tremia um pouco. “Não posso me assustar assim. Preciso de uma bebida”. Iria aonde os homens vão. Precisava se sentir um homem. Suas mãos tremiam e Billy segurou as armas em sua cintura e fechou os olhos. “Se concentre, Billy, seu tolo! Foi só um susto! Você sabe quem você é!”. Um vento gélido percorreu seu rosto ao abrir os olhos. “San Quentin é viver no inferno pra mim!”, dizia enquanto alguns pensamentos machucavam-lhe a consciência. Pensava no homem em Reno, pensava em idiotas como o velho bêbado, pensava no futuro com Bárbara, pensava na sua querida e já velha mãe. Billy tinha medo do futuro e tinha medo de não se tornar o homem que queria ser. “Ah, mas que besteira! Já sou um homem!”.
  Pediu um uísque e mandou pra dentro. Sua mão ainda tremia. De esguelha, viu um vaqueiro ao seu lado com um sorriso cínico, no rosto. Billy não gostou disso. Bateu o dinheiro no balcão e pediu outra dose. “Esse lugar fede. Isso não é lugar para se viver. Vou me mudar daqui e levar minha mãe comigo. Odeio cada pedacinho desse lugar”, pensava. “Pelo menos agora sou um homem”. Esse último pensamento saiu em voz alta e o vaqueiro sujo soltou uma gargalhada. “Beber uísque, foder uma mulher e andar com pistolas prateadas não te faz ser homem, fedelho!”. As palavras do homem se misturavam com as da mãe na cabeça de Joe. “Não leve as armas para a cidade, filho. Deixe-as em casa”.
  O jovem caubói estava furioso. Cuspiu xingamentos ao vaqueiro que achava graça de tudo. Billy Joe se aproximou e sacou sua arma, mas o vaqueiro foi mais rápido. Uma bala atravessou o peito de Billy. Depois outra. E mais outra. Billy caiu no chão confuso e atordoado enquanto a multidão se juntava para ouvir o seu ultimo suspiro. Nesse momento final, todo o estardalhaço das pessoas era inaudível. A única voz que Billy escutava era de sua mãe. “Não leve as armas para a cidade, filho. Deixe-as em casa”.

-----

Resolvi me aventurar e começar a escrever contos. Esse é o primeiro que escrevo para o blog, espero que tenha gostado. Aceito críticas e sugestões nos comentários!
Esse conto foi inspirado nas músicas de Johnny Cash, deixo aqui uma playlist com algumas:


Não sei se vou postar mais contos por aqui. Vou continuar escrevendo, se eu gostar do resultado, mostro para vocês!
Até mais, e obrigado pelos peixes!
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial